PORQUE A MELHORIA DA SITUAÇÃO DAS MULHERES É CRUCIAL
PARA TODOS QUE VIVEM NESTE PLANETA
Apesar da crença generalizada que as mulheres "avançaram muito," o Dia Internacional da Mulher ainda verá milhões delas, em todas as partes do mundo, presas a uma vida onde não podem freqüentar escolas, possuir propriedades, votar, ganhar salários ou controlar seus corpos, e onde a violência é uma ameaça constante.
Infelizmente, as estatísticas apontam para um mundo ainda mais tenebroso onde, em muitas frentes, as mulheres ainda lutam pela obtenção de direitos iguais.
– Mais de meio milhão de mulheres morrem a cada ano vítimas de complicações evitáveis durante a gravidez e o parto; outras 18 milhões ficam incapacitadas ou com doenças crônicas. Em outras palavras, mais de 1.300 mulheres morrerão no trabalho de parto, só no Dia Internacional da Mulher.
– Mundialmente, as taxas de infecção de AIDS são hoje mais altas nas mulheres do que nos homens. Na África sub-saariana, onde a AIDS se dissemina com maior rapidez do que em qualquer outro lugar no planeta, as mulheres representam 55 porcento de todos os novos casos de HIV. Lamentavelmente, a maioria não dispõe de autonomia sexual para recusar o sexo, ou exigir que seu "parceiro" use preservativo.
– Vinte a 50 porcento de todas as mulheres sofreram violência de algum "ente querido." A violência de gênero assume muitas formas e afligem moças e mulheres durante toda a vida. Cerca de 60.000 moças são dadas como "desaparecidas" na China e na Índia, devido a abortos seletivos de sexo, infanticídios femininos e negligência. Em 2000, mais de 5.000 moças foram assassinadas por seus pais ou outros membros da família, por ter falado com meninos na rua, ou "desonrado" a família ao se tornarem vítimas de estupro. Mais de 2 milhões de mulheres são submetidas a mutilação genital a cada ano, o que leva a uma vida de sofrimento.
– Dois terços dos 876 milhões de analfabetos mundiais são mulheres. Em 22 nações africanas e asiáticas, a matrícula de meninas é menos de 80 porcento a dos meninos, e nos países menos desenvolvidos, apenas metade das meninas permanece na escola após a 4a série. Na África sub-saariana e Sul da Ásia, apenas
– Na maior parte do mundo, famílias chefiadas por mulheres são mais vulneráveis à pobreza do que as chefiadas por homens. Nos Estados Unidos, famílias de mães solteiras criam um terço das crianças que vivem em condição de pobreza.
– Por quase todo o mundo as mulheres ganham, em média, dois terços a três quartos do salário dos homens, pelo mesmo serviço. Além disto, as mulheres desempenham a maior parte do trabalho invisível que mantém o cotidiano das famílias. Todavia, cuidar do lar e dos filhos, coletar água e lenha, e outras atividades realizadas principalmente por mulheres, raramente são incluídas na contabilidade econômica, embora seu valor seja, aproximadamente, um terço da produção econômica mundial.
– As mulheres são imensamente sub-representadas em todos os níveis de governo e nas instituições internacionais, apesar de líderes de destaque, como Gloria Macapagal-Arroyoomen, Presidente das Filipinas e a ex Primeira Dama dos Estados Unidos e hoje Senadora Hillary Clinton. Nas Nações Unidas, em 1999, as mulheres compunham apenas 21 porcento da alta administração. Em apenas 9 países a proporção de mulheres no parlamento nacional é de 30 porcento, ou maior. Em meados de 2001, pelo menos sete nações – Djibouti, Jordão, Kuwait, Palau, Tonga, Tuvalu e Vanuatu – não tinham uma única mulher em suas assembléias legislativas.
"Há amplas evidências que quando as mulheres assumem poder político, as questões importantes para as mulheres e suas famílias – como cuidados maternos, nutrição e planejamento familiar – adquirem prioridade e são agilizadas por quem detém o poder," declara a pesquisadora do WWI, Danielle Nierenberg.
E prover recursos que mantenham as moças nas escolas pode ser mais eficaz no incremento das taxas de sobrevivência infantil, do que a melhoria de saneamento, emprego ou renda. Fontes das Nações Unidas demonstram que as nações com os maiores níveis de escolaridade na África sub-saariana – Botsuana, Quênia e Zimbábue – também são as nações com os menores níveis de mortalidade infantil, apesar dos altos níveis de pobreza em comparação com seus vizinhos.
"No final das contas, o que é bom para as mulheres é bom para o mundo. A participação e capacitação plena das mulheres do mundo é a chave para qualquer estratégia coerente de desenvolvimento sustentável. Mas, ainda há um longo caminho a percorrer, antes que as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens."
© WWI-Worldwatch Institute / UMA-Universidade Livre da Mata Atlântica 2002, todos os direitos reservados.
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